11 junho 2013

Ofereço-me para presidente SRU


Há coisa de cinco anos, achei que era boa ideia reduzir drasticamente a minha estrutura de custos fixos. Como era biscateiro, sem emprego fixo, para prevenir o futuro, resolvi aplicar a minha poupança na compra de um apartamento.

Como a senhoria não quis vender o T4 onde morávamos, na Pasteleira, definimos o objetivo - um T4, de preferência na zona ocidental no Porto, que, tudo incluído (impostos, escrituras, obras, etc., etc.), custasse no máximo 200 mil euros - e partimos para o mercado.

Após alguns meses de aturada procura, apaixonámo-nos à primeira vista por um T5 duplex na Avenida da Boavista, construção do início dos anos 60, apesar de ele se apresentar em péssimo estado, até porque estava desabitado há uma boa dúzia de anos.

Passamos os dois meses seguintes a fazer e refazer contas e a negociar com o dono, a imobiliária e o empreiteiro que escolhemos para fazer a obra, até que finalmente, corta aqui reduz acolá, conseguimos fazer o preço final caber dentro do dinheiro que tínhamos para a casa.

Fizemos a escritura em janeiro de 2009 e a 1 de maio, após uma terrível mudança (as mudanças de casa são sempre tenebrosas) dormimos pela primeira vez no nosso novo apartamento.

Eu estava cheio de medo, mas no geral as obras até correram bem. Como não percebo nada do assunto, fui prudente na elaboração do caderno de encargos. O essencial era garantir que as canalizações e instalação elétrica eram feitas de novo e de que não iria chover dentro de casa. E contive-me para nunca pronunciar a expressão "já agora" junto do engenheiro.

Estamos todos muito satisfeitos com a casa nova. Claro que passaríamos menos frio no inverno (e apanharíamos menos calor no verão) se tivéssemos posto vidros duplos. E de vez em quando temos saudades da lareira que tínhamos na Pasteleira. Mas nem por isso somos menos felizes. E, caramba!, conseguimos comprar um T5 na Avenida Boavista mais ou menos pelo preço a que a SRU Porto Vivo vende um T1 em Mouzinho da Silveira!

Estou também muito satisfeito por ter contribuído para o esforço de reabilitação urbana do Porto, sem ter gasto um tostão de dinheiros públicos, ao contrário da SRU que não para de torrar dinheiro - só o ano passado foram sete milhões!

Não só não fui buscar dinheiro ao Estado - nem tão-pouco aos 200 milhões de euros do empréstimo do BEI para reabilitação urbana que por alguma razão que me escapa o Porto e Lisboa não conseguiram aproveitar dentro do prazo inicial (terá sido por incompetência?) -, como ainda por cima paguei uma data de impostos (IVA, IMI, IMT).

Pensando bem em todo este assunto, e visto que o lugar está vago, achei que devia disponibilizar-me para presidir à SRU Porto Vivo.

Posso não perceber muito de obras. Mas com a minha experiência (e a obra andou bem depressa, não acham?) e bom senso, é impossível fazer pior que os anteriores. Até porque sei que nestes tempos cinzentos é um disparate acabado optar por uma reabilitação urbana jacuzzi - em vez de reabilitação low cost como a que eu fiz no meu T5, na Avenida da Boavista.

12 março 2012

Porto candidata-se a melhor destino europeu de 2012


Porto candidata-se a melhor destino europeu de 2012

A cidade do Porto foi escolhida para se candidatar - com as restantes 19 cidades europeias mais visitadas - ao título de "Melhor Destino Europeu 2012".


O concurso é promovido, anualmente, pela "European Consumers Choice", uma associação independente, sem fins lucrativos, direcionada para a defesa do consumidor, com sede em Bruxelas.

Lisboa já havia sido escolhida como o melhor destino de 2010. O ano passado, o título coube à cidade de Conpenhaga, capital da Dinamarca.

Para votar tudo o que é necessário fazer é aceder a este endereço.

Os resultados finais serão conhecidos a 27 de março.

[Fonte: JN]

18 janeiro 2012

O efeito spillover do centralismo...

IHRU procura reunir condições para pagar dívida à Porto Vivo

IHRU procura reunir condições para pagar dívida à Porto Vivo
Rui Moreira disse esta terça-feira que a SRU pode ir à falência por dívidas do Estado. 

O Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) informou esta quarta-feira que vai procurar reunir condições para pagar a sua parte nos prejuízos da Porto Vivo e refere ser necessária uma mudança no modelo de financiamento desta sociedade.

A resposta do IHRU à agência Lusa surge depois de o presidente da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) Porto Vivo, Rui Moreira, ter admitido, na terça-feira, a hipótese de falência se o Estado continuasse sem pagar 1,256 milhões de euros referentes a prejuízos de 2010.

“O IHRU vê com grande preocupação a sustentabilidade financeira da SRU Porto Vivo e procura reunir as condições legais e orçamentais para poder proceder à reposição da sua quota parte nos prejuízos desta SRU”, lê-se na resposta escrita do organismo tutelado pelo Ministério do Ambiente.
O IHRU refere que o pagamento da sua parte não coloca em causa a “análise com o outro accionista (Câmara Municipal do Porto) da mudança necessária no modelo de financiamento desta sociedade”.

O alerta do presidente da Porto Vivo surgiu na Comissão Parlamentar do Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local.

O responsável explicou que a entidade rege-se pela lei das sociedades comerciais, existindo, por isso, a obrigação de repor capitais quando o capital social fica abaixo de metade.

“A Câmara Municipal do Porto [que detém 40%] já disse que reporia. Nós continuamos à espera do Estado Central (acionista em 60%), do Ministério do Ambiente, através do IHRU (Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana”, disse.

Rui Moreira assegurou que a sociedade está a cumprir as obrigações, mas que há um “problema de sustentação da própria estrutura”, porque os accionistas ”não repõem os prejuízos”.

“Chega a uma altura em que a sociedade vai à falência, usando uma expressão corrente, mas vai à falência apesar de ter capitais públicos”, avisou.

Contudo, o presidente da Sociedade de Reabilitação Urbana Porto Vivo argumentou que não se podem esperar lucros destas entidades porque “intervêm no espaço público e cumprem uma função social”.

Em termos legais, Rui Moreira garantiu não estarem colocados problemas, por ter sido marcada uma Assembleia Geral, mas lembrou também que existem “problemas de sustentação”.

“Ainda não temos as contas de 2011 fechadas, mas deverá representar mais prejuízos e se esses prejuízos não forem repostos, as sociedades de reabilitação urbana morrem à míngua”, afirmou.

[Fonte: Porto24]

02 novembro 2011

Metade das casas do centro histórico do Porto estão vazias

Presidentes das juntas queixam-se de que no último ano praticamente nada foi feito

Censos aponta para mais de 3000 habitações vazias



Quase um terço da população perdida nos últimos dez anos e cerca de 44% dos alojamentos sem ninguém lá a morar. O Censos 2011 mostra que há cerca de 3000 habitações vazias no centro histórico do Porto, para um total de 9314 moradores.

Há um ano, a Assembleia Municipal do Porto reuniu de emergência para discutir a situação do centro histórico da Invicta. Porém, desde então, pouco ou nada foi feito, acusam os presidentes das juntas de freguesia, apontando o dedo à Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU). O novo presidente do organismo, Rui Moreira, diz que as obras feitas e em curso provam o contrário.

TIAGO RODRIGUES ALVES / JN

28 julho 2011

É preciso parar de construir


A CONSTRUÇÃO na periferia de estradas, escolas, hospitais e centros comerciais fez com que as duas mais importantes áreas metropolitanas do país passassem a ser aglomerados policêntricos

 As 350 mil casas que estão à venda demorariam três anos a escoar se, no entretanto, as imobiliárias não continuassem a encharcar o mercado com mais oferta (a fileira da construção tem uma velocidade de travagem em tudo idêntica à dos superpetroleiros) - e se o ritmo das vendas se mantivesse igual ao de 2010, o que é altamente improvável, pois, para ressuscitar o arrendamento, a troika impôs medidas que penalizam a propriedade e a banca passou da fase em que andava atrás de nós para nos emprestar dinheiro para a de andar atrás do nosso dinheiro.

Não é preciso ser um Einstein para perceber que já terminou o tempo em que as áreas metropolitanas do Porto e Lisboa cresceram anarquicamente como manchas de azeite, fazendo a fortuna de empreiteiros habilidosos e o upgrade de patos-bravos. Agora é preciso parar de construir e passar a reabilitar.

Um país com a dívida soberana classificada como lixo não se pode dar ao luxo de ter um milhão de habitações a precisar de obras e 100 mil milhões de euros empatados em casas vazias. No coração do Porto há 15 mil edifícios a cair. Do total de 55 350 edifícios existentes em Lisboa, 4618 (8%) estão abandonados e 7700 ameaçam ruir.
Face a esta situação é impossível não achar estranho que, apesar do programa de obras no Parque Escolar promovido pelo Governo Sócrates, a reabilitação pese menos de 7% no nosso mercado construção, quando em Espanha vale 29% e a média europeia é de 36%. Requalificar, reordenar e reabilitar são as soluções para desatar o nó complexo que nos impede de progredir.
Após o 25 de Abril, as cidades portuguesas cresceram de uma forma caótica e desordenada. O congelamento das rendas, decretado no Estado Novo e mantido pela jovem democracia, teve o efeito perverso de ser o pai de uma explosão desordenada e difusa das periferias de Lisboa e Porto.
Favorecidas pelo forte aumento do poder de compra, democratização do automóvel e multiplicação de vias rápidas e auto-estradas, as periferias das grandes cidades esvaziaram os centros urbanos tradicionais, assumindo o papel de poderoso imã que atraiu dezenas de milhares de jovens casais.

A construção na periferia de estradas, escolas, hospitais e centros comerciais, para servir as populações em movimento, fez com que as duas mais importantes áreas metropolitanas portuguesas passassem a ser aglomerados urbanos policêntricos.

A desertificação dos centros cívicos e os movimentos centrífugos dos últimos 30 anos têm de ser contrariados por um esforço de ressurgimento dos centros históricos, criando condições para que eles voltem a ser habitados e tenham uma vida activa para além das horas de expediente dos serviços.

Este esforço centrípeto é essencial para manter o Porto como um destino «trendy» para os turistas estrangeiros e para que seja restabelecido o equilíbrio ecológico na malha urbana.

20 julho 2011

Porto em acelerado processo de desertificação

Podem dizer o que quiserem, argumentar com as desculpas do costume, até fazer o pino, mas não há volta a dar-lhe: a cidade do Porto tem sido governada estes últimos anos por autênticos kamikazes. E eu, conheço o principal... Pode confirmar por aqui


Praça Filipa de Lencastre

10 maio 2011

Vícios e virtudes no centro histórico

Com alguns meses de atraso, a Porto Vivo, SRU volta a ter presidente. Rui Moreira sucede, por cooptação, a Arlindo Cunha. Prevaleceu a vontade do líder da autarquia junto do accionista maioritário - o governo. Mas a escolha do presidente da Associação Comercial do Porto não ocorre por simpatia política de qualquer das partes com poder de decisão, porque Rui Moreira é, consabidamente, crítico das políticas urbanísticas da cidade e das opções do poder central no que se refere ao Grande Porto e ao Norte, designadamente quanto ao TGV, ao Aeroporto Sá Carneiro e à aplicação de fundos provenientes de Bruxelas. Rio, Sócrates e... Manuel Pizarro (secretário de Estado da Saúde, presidente da concelhia socialista portuense e putativo candidato do PS à edilidade tripeira) consensualizaram posições favoráveis ao interesse do Porto e da reabilitação do Património da Humanidade. Na discreta posse ocorrida na passada sexta-feira (na qual esteve presente Rui Rio), ganharam as três partes: o governo de gestão, o presidente do executivo camarário e... Pizarro. Por sua vez, Rui Moreira obriga-se a:

1. demonstrar que não se esquece das pessoas que vivem nas freguesias do centro histórico e que, como sempre defendeu, devem ser parte interessada na existência da SRU, independentemente de novos moradores;

2. atrair investimento estrangeiro;

3. fazer com que a SRU seja um instrumento de facilitação para quem quiser ir viver ou desenvolver negócios na Baixa;

4. usar a sua independência financeira e política para desburocratizar uma empresa com vícios de procedimentos que poderiam levá-la à sua extinção e a destruir um projecto fundamental da afirmação universal do Porto.

Alfredo Barbosa
Docente da Universidade Fernando Pessoa
[Fonte: i]

01 maio 2011

Rui Moreira é o novo presidente da Sociedade de Reabilitação Urbana


Rui Moreira


Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, é o novo presidente do Conselho de Administração da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) do Porto, refere esta sexta-feira o site da autarquia portuense.

Os accionistas da Porto Vivo, SRU, “acordaram esta semana nomear, por deliberação unânime”, Rui Moreira para a presidência da empresa, substituindo Arlindo Cunha no cargo que tinha abandonado a 1 de Janeiro, refere o site da Câmara do Porto.

No início de Dezembro, foi divulgado que a Câmara do Porto propôs o nome de Rui Moreira, para presidir à SRU, mas as negociações da autarquia com o Governo decorriam desde Setembro.

O anterior presidente da administração da Porto Vivo, Arlindo Cunha, renunciou ao mandato no início de Novembro, tendo a renúncia produzido efeitos no final do ano.

A indefinição motivou fortes críticas da Câmara do Porto, que chegou a acenar com a possibilidade de resolver o caso em tribunal.

[Fonte: Porto24]

25 fevereiro 2011

O desperdício nacional

Queixamo-nos de falta de recursos, mas mal damos conta do nosso grau de desperdício. Por exemplo, o país tem escassas fontes próprias de energia, mas a eficácia energética de Portugal é das mais baixas da Europa.

A maioria dos estádios construídos para o campeonato europeu de futebol em 2004 não consegue hoje sequer pagar a sua manutenção. E boa parte dos fundos europeus é gasta por privados e entidades públicas apenas para aproveitar o dinheiro em empreendimentos sem viabilidade.

É o caso de muitas auto-estradas. Hoje temos uma densidade de auto-estradas 25 % superior à média europeia, sem tráfego que justifique boa parte da rede. Uma desastrada aplicação de recursos escassos.

É a pressão dos empreiteiros e a obsessão nacional pelo automóvel, símbolo de estatuto social. 20% dos portugueses com menos de 30 anos compram carros novos, contra apenas 11% na UE, onde a preferência dos jovens vai para os usados. Somos o terceiro país europeu com mais carros por cem habitantes e Portugal é o membro da UE onde se compra um automóvel novo mais cedo: aos 43 anos, contra os 50 da média europeia.

Entretanto, o caminho-de-ferro foi desprezado, apesar das críticas que os socialistas dantes faziam à política do betão . Entre 1988 e 2009 os comboios portugueses perderam 43% dos passageiros, enquanto em todos os outros países da Europa ocidental o tráfego de passageiros no caminho-de-ferro subiu consideravelmente. Agora o Governo insiste no TGV, que promete ser um sorvedouro de dinheiro na construção e na exploração. Isto, quando o Porto de Sines ainda não dispõe de uma ligação ferroviária a Espanha digna da sua importância estratégica.

E tem sido criminoso o desperdício no sector da habitação. Salazar congelou as rendas em Lisboa e Porto. Em 1974, após o 25 de Abril, o congelamento foi estendido a todo o país. Seguiram-se anos de inflação alta, mas as rendas não mexeram. E, quando finalmente começaram a ser actualizadas, partia-se de uma base tão baixa que inúmeros senhorios continuam hoje a não ter hipótese de financiar obras nos prédios, que assim vão apodrecendo.

Compreensivelmente, o mercado de arrendamento quase desapareceu. E como, com a entrada no euro, as taxas de juro baixaram muito, a solução (para quem podia!) foi comprar casa com empréstimo bancário. Ora, para uma sociedade com o poder de compra médio da portuguesa, a opção predominante, porque mais racional, deveria ser alugar e não comprar casa. Mas nenhum governo se atreveu a mudar a sério a lei das rendas (com excepção do executivo de Santana Lopes, que não teve tempo para pôr em vigor uma lei que o governo de Durão Barroso receou publicar).

O resultado foi a desertificação do centro das cidades como Lisboa e Porto e o afastamento dos moradores para as periferias. É brutal o que isso significa em matéria de custos privados (no carro, na gasolina, no título de transporte, no stresse dos congestionamentos de trânsito) e custos públicos, nas rodovias e no urbanismo selvagem.

Agora, com o crédito caro e difícil, mais gente quer alugar casa. Mas a oferta é escassa, ficando aquém da procura. Por falta de casas? Pelo contrário, temos cerca de três casas por cada duas famílias (outro absurdo, havendo gente ainda a viver em barracas ou quase). E há mais de meio milhão de habitações devolutas.

O retraimento dos potenciais senhorios tem a ver com a actual e ineficaz lei do arrendamento, com um tratamento fiscal desfavorável e com o estado calamitoso da Justiça portuguesa. Parece que está a tornar-se hábito alugar casa, deixar de pagar a renda ao fim de um ou dois meses e esperar, continuando a habitar a casa, que o senhorio consiga um efectivo despejo, o que demora largos anos.

A irracionalidade destes enormes desperdícios sai cara ao país, embora alguns lucrem com ela. Mas quem se importa?


P.S. Uma correcção ao artigo da semana passada. A maioria das entidades ali referidas não tem, cada uma individualmente, que prestar contas ao Tribunal de Contas. Não há, nesses casos, violação da lei. Mas o desvio de dinheiros públicos para fins alheios ao bem comum existe na mesma.

[Francisco Sarsfield Cabral, in Sol]

09 fevereiro 2011

Aquilo que um leigo sabe e os experts "ignoram"

Deixemo-nos de tretas e falemos à vontade, louvando tudo quanto merece ser louvado e censurando as malfeitorias que se vão cometendo, mesmo que tecnicamente possamos não estar muito qualificados para abordar ao detalhe determinados assuntos. Bom senso e uns pózinhos de lucidez chegam e sobram para discutir até as coisas aparentemente mais difíceis. Querem exemplos?

Não é preciso ser sábio, deputado, médico ou jornalista para perceber o erro grosseiro que Cavaco Silva acaba de cometer ao vetar o decreto-Lei governamental que obriga os médicos à prescrição de medicamentos pela substância activa em vez de marca. Muita asneira tem feito este [e outros] Governo, mas a decisão de obrigar o médico a justificar os motivos da dispensa dos genéricos é talvez a medida mais acertada e verdadeiramente corajosa que nos últimos tempos tomou. Só faria sentido vetar este Decreto-Lei, caso as entidades reguladoras nacionais e internacionais do sector, tivessem previamente proibido a sua comercialização/prescrição com as inerentes justificações, coisa que, ao que se sabe, não sucedeu. Daí que, o veto do Presidente da República ao Governo sirva mais para lançar a suspeita de revanchismo político na opinião pública, do que - como ele alega -, para transmitir segurança aos doentes. Não passa de mais uma birra de um senhor sem categoria para ocupar o lugar que tem.


Também é desnecessário ser economista para compreender porque é que a *Porto Vivo/RSU não conseguiu vender uma única fracção das 10 que tinha no mercado. Não faltam explicações, mas aquela que ressalta aos olhos foi a política de preços usada, que roça a tradicional especulação imobiliária. Uma grande parte, senão mesmo a totalidade dos [poucos] imóveis recuperados em Mouzinho da Silveira não dispõem de garagem e de outros equipamentos que as casas modernas oferecem nos arredores a preços muito mais atractivos, o que significa que só um pequeno nicho de mercado com grande poder de compra poderá eventualmente deixar-se seduzir por tão rudimentar oferta. Não sendo de excluir essa possibilidade, a aposta da Porto Vivo deveria apontar para preços mais realistas e para um público mais carenciado, ou seja, para quem necessitasse de facto de adquirir casa para residir, porque os compradores de recursos económicos elevados não usarão este tipo de casas como habitação principal e, além disso, são uma minoria. Por conseguinte, não adiantará muito enfatizar a questão de uma errada estratégia comercial, porque não há poder de compra que resista às necessidades reais das pessoas. Continuar a pedir-se por um T1 restaurado da Baixa 175.000 €, sem garagem, arrumos, nem outras "mordomias" e, na hipótese mais provável, com casas ao lado a cair de velhas [prostituição e droga], tendo um T1 novo nos arredores melhor equipado, por 12.000 €, quem é que vai comprar um na Baixa?


*Pelos vistos o Governo não aceitou Rui Moreira para a Porto Vivo [Deve ter melhores candidatos, presume-se...]

Esperemos é que não se lembrem de nomear um clone do Mário Lino ou do Mendonça [parecem tirados a papel químico], medíocres recordistas da incompetência.

29 julho 2010

Vistas da Sé...


Já estão assim há anos, estas casas. Quem chega de fora e visita a Sé do Porto, depara logo mais à frente, com este espectáculo deslumbrante. Ficará a pensar que a Câmara Municipal do Porto não deixa os pregaminhos em mãos [e olhos] alheias...
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16 julho 2010

Em frente à Sé do Porto

Estes prédios permanecem neste estado há anos
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15 julho 2010